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Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Manhãs de recomeço

27.09.18 | Alice Barcellos

Manhãs. Adoro manhãs. O dia que começa quando abrimos os olhos, a luz que clareia quando abrimos as janelas. Em todas as manhãs podemos encontrar o ímpeto de recomeçar. Principalmente naquelas em que nos levantamos cedo e cheios de disposição. Ninguém tem vontade de ser melhor depois de uma noite mal dormida ou quando acorda e metade do dia já passou.

 

Recomeçar é encontrar um motivo para ser melhor, para seguir um caminho diferente, para aprender algo novo e para mudar. Recomeçar é uma forma de mudança. E mudar é difícil. Habituamo-nos facilmente às rotinas das manhãs cinzentas, do café fraco e das notícias mornas do dia. Deixamos de ver o lado glorioso das manhãs que passam a ser apenas aquele momento em que temos de retomar à rotina. Retomar não é o mesmo que recomeçar. Não tem a mesma força que nos faz voar nas entrelinhas das letras e no peso que cada palavra tem no coração.

 

Se havemos de tomar (boas) decisões que nos façam avançar que sejam em manhãs de sol e céu azul, depois de um café forte e antes de ver as notícias do dia. Foi numa destas manhãs, depois de abrir a janela e sentir a frescura silenciosa do dia, que decidi recomeçar com isso de escrever sobre tudo e nada, olhando para este pequeno grande mundo que é o meu.

 

A escrita e, depois, a fotografia são, para mim, fonte de inspiração, ferramenta de trabalho e escape. Têm sido boas companheiras neste caminho sem volta que é a vida e, de uma forma ou de outra, tenho me dedicado a elas quase todos os dias há vários anos.

 

Escrever num blogue parece já coisa do passado com tantas plataformas em que podemos dizer aquilo que pensamos ou mostrar aquilo que vemos no imediatismo do segundo. Mas tão rápido se afirma, publica ou filma, tão rápido se esquece. Na manhã seguinte, a afirmação publicada ontem foi anulada por mil e uma publicadas nas primeiras horas do dia. A informação escorrega pelos dedos como gelatina mole. É cada vez mais difícil de agarrar o que realmente importa, inspira e pode fazer uma pequena diferença na nossa vida, de facto.

 

Se ainda estás a ler este texto, então consegui prender a tua atenção por mais do que alguns segundos com que, tantas vezes, passamos os olhos por títulos no Facebook. Ainda bem. Espero que continues por aqui. Não prometo muito. Mas tenho o ímpeto de recomeçar. E isso já é algo bom.

 

manhas.jpg

 

P.S.: O arquivo deste blogue foi importado de um outro blogue meu que estava parado desde 2016.