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Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

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As ondas gigantes da Nazaré

A onda é um monstro marinho que corre atrás da presa, abre a sua boca enorme e cospe espuma branca. A onda é um muro cinzento que desaba em cima daqueles que tentam descobrir os segredos da sua casa - o mar.


 


O monstro foi domado e a casa explorada esta semana na Nazaré, mas também na França e na Espanha, de onde também chegaram imagens incríveis. Ainda bem que estes feitos são cada vez mais mediatizados – guerras entre marcas e intrigas entre surfistas à parte.


 


O mar e as ondas sempre despertaram em mim uma enorme admiração. No surf consegue-se momentos de pura simbiose entre mar, ondas e homem. E por isso é também um desporto, acima de tudo um estilo de vida, que admiro muito.


 


Surfar ondas gigantes é outra praia. É desafiar o mar ao máximo, é por a vida em risco em cada onda. Mas deve ser algo inesquecível, estar ali rodeado de água, a descer uma montanha de onda. A ouvir a força do mar, a manter o equilíbrio físico e mental, numa concentração total naquele momento. Por mais que se analise o tamanho da onda, a velocidade, que se fale em recordes e em questões técnicas, as imagens falam por si. Impressionam sempre, quer seja uma onda com mais ou menos metros.


 


Esta semana estive também na Nazaré. Vibrei, arrepiei-me e impressionei-me. Temi por Maya Gabeira, um nome descoberto recentemente. Mas tudo acabou bem. O monstro ainda dorme e os muros desapareceram como castelos de areia. Por agora. A partir de amanhã tudo pode mudar.


 


P.S. Ainda sobre Maya Gabeira, que entrou nas bocas do mundo pelos piores motivos. Já li por aí acusações de que ela não tem preparação física e é inconsequente por arriscar-se neste "campeonato". Eu digo que se ela vai é porque se sente preparada. Uma atividade tão extrema como esta não pode ser encarada como um luxo ou como uma exigência de algum patrocinador. Claro que existem fatores externos, mas acima de tudo é a vontade de ultrapassar limites, arriscar, o vício pela adrenalina e, não menos importante, o gosto pelo surf e a paixão pelo mar que movem estas pessoas, quer sejam homens ou mulheres. Afinal, há cada vez mais mulheres no surf, mas poucas ainda se aventuram nas ondas gigantes. A Maya é quase um peixe fora de água num aquário ainda dominado por tubarões. Espero vê-la ano que vem na Nazaré.


 

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