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Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

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Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Pés de lã

11.08.15 | Alice Barcellos

Para os meus gatos


 


Os gatos têm pés de lã. De pantufas invisíveis, os gatos entram sem pedir licença, alguns mais dóceis, outros mais ariscos. Os gatos, com a sua arrogância natural de quem tem sete vidas e cai sempre de pé, caminham sem fazer barulho. O chão para eles é como nuvens, sempre suave ao seu andar silencioso.


 


Os gatos têm pés de lã. Não gostam de dormir durante a noite, preferem vaguear à sombra da lua, a procurar brigas de rua. Voltam cansados e mal dispostos, com o focinho arranhado, de vez em quando. Esgueiram-se pela porta mal fechada e procuram o conforto do sofá para o sono merecido. Que também pode ser no chão do pátio, naquela nesga de sol, ou num canto da garagem, em cima de uma mochila esquecida. A cama é onde se deitam. Dormem, sempre, profundamente, até serem acordados por ruído ou voz.


 


Os gatos têm pés de lã que escondem unhas afiadas. Tudo serve para afiar as garras, o tronco de uma árvore ou umas simples calças de ganga. Os gatos arranham e fazem-nos sangrar, mesmo quando estamos a brincar com eles.


 


Os gatos têm pés de lã. Não precisam de nós e, alguns, não gostam mesmo de nós, aproveitam-se. Mas os que gostam, demonstram, com ronronares deliciosos que descansam os ouvidos de outros miados e meandros. Eles não precisam de nós, mas quando querem, fazem do nosso colo cama e partilham connosco os seus olhares felinos mais doces.


 


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