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Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Cantinho das Aromáticas: para fugir da cidade (dentro da cidade) e conhecer plantas que nos fazem bem

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Poderia falar de que esta foi a primeira quinta de agricultura biológica urbana em Portugal, poderia referir os inúmeros prémios que as suas tisanas e infusões já conquistaram, poderia enumerar a diversidade de plantas aromáticas, medicinais e condimentares que podemos ali encontrar, prontas a usar ou em vasos para cultivar em casa.

 

Poderia dar a conhecer a história do Luís, agricultor de coração, que acreditou neste lugar e fez crescer um projeto vencedor. Poderia falar da simpatia de uma equipa disponível que recebe sempre os visitantes de sorriso estampado. É... poderia escrever uma bela reportagem sobre o Cantinho das Aromáticas, em Vila Nova de Gaia, mas prefiro deixar os sentidos falarem, afinal, são sempre eles que guardam os lugares especiais na nossa memória e provocam vontade de voltar.

 

O som do vento a passar entre as folhas das árvores tem o dom de me limpar a cabeça e relaxar, tal como o som das ondas a desenrolar na areia. Quando começamos a descobrir o Cantinho das Aromáticas é na fileira de choupos que reparamos, alinhados e elegantes, a marcar o caminho. Se estiverem com folhas e se for um dia de vento, é o som da brisa a trespassar entre as folhas que fica nos ouvidos e nos embala os pensamentos. Em frente, olhamos para um campo aberto onde estão sempre animais a pastar, cavalos, burros ou bois. 

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A cor verde é uma constante, mas outras surpresas nos aguardam pelo percurso.

 

A minha altura preferida é quando podemos apreciar o espetáculo das perpétuas em flor. Não pensem que são apenas roxas, como a maioria das pessoas conhece; são brancas, rosa-bebé e vermelhas, de um vermelho vivo e alegre. 

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Já quase nos esquecemos de que estamos dentro da cidade e continuamos a percorrer o espaço, até que paramos no pombal de pedra do século XII. A construção antiga remete-nos para outros tempos e lembra-nos de que este é um lugar com muitas histórias. A mais conhecida conta que D. Pedro e Inês de Castro percorreram estes campos há muitos e muitos anos atrás (no século XIV). 

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Depois de encher a vista com as cores das perpétuas ou das equináceas e a imaginação com histórias do romance proibido mais famoso do país, é altura de descer à terra e de tocar em algumas plantas para sentir o cheiro que nos revelam as nossas pontas dos dedos. O da hortelã-pimenta é o meu favorito. Mas existem muitos outros a conhecer: alecrim, tomilho, lúcia-lima, alfazema, e por aí vai.

 

É com estes aromas em mente que podemos provar infusões, tisanas ou chás - aqui têm de saber a diferença entre estes termos - ao passar na lojinha da quinta para dar uma vista de olhos nos produtos ali expostos, entre dois dedos de conversa, de chávena na mão.

 

Regressamos sempre ao Cantinho das Aromáticas. Em família ou com amigos, quando temos alguém de visita e queremos mostrar um lugar especial. Em sintonia com a natureza, sem sair da malha urbana, quando cruzamos aqueles muros de pedra, ficamos com a esperança de que, se houver vontade, o mundo pode ser um lugar melhor.

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Quando estiverem por Vila Nova de Gaia, não deixem de lá passar.

 

Cantinho das Aromáticas
Rua do Meiral, 508
4400-501 Canidelo
Vila Nova de Gaia

Tlf: 227710301
Telemóvel: 912260714

O adeus a um dos símbolos de Amesterdão. Faz sentido?

Foram removidas, esta semana, as letras vermelhas e brancas que se tornaram, ao longo da última década e meia, uma das atrações mais famosas de Amesterdão.

 

As letras que, em conjunto, formavam o slogan I Amsterdam já não fazem mais parte do enquadramento das fotos dos milhares de turistas que, todos os dias, se juntam na praça dos museus (Museumplein), um ponto de convergência da capital holandesa que liga os principais museus da cidade.

 

Prova de uma bem sucedida campanha de marketing de 2004, as letras eram uma das atrações mais famosas e acarinhadas da cidade. Mais do que as bicicletas, os canais, as casinhas apertadas e compridas, o mercado de flores ou os museus, ir a Amesterdão e não tirar uma foto junto à placa, era como ir a Roma e não ver o Papa.

 

Ao longo dos últimos anos, a imagem da cidade ficou intrinsecamente ligada a estas letras que poderiam até nem ter feito sucesso quando foram ali colocadas. Mas fizeram. E, provavelmente, um dos motivos que a isso levou é o facto de ser uma instalação que apela à forte interação com as pessoas. Também gostamos de descobrir os lugares com as mãos: tocar, escalar, brincar – algo que milhares de pessoas faziam todos os dias ali. Os mais afoitos escalavam até ao topo do “i”, outros limitavam-se a encostar-se ou sentar-se nas curvas das letras.

 

Apesar de continuar a ser um slogan da cidade, quem agora for a Amesterdão já não vai poder tirar a “foto de turista”, pelo menos, ali naquele local. As letras vão circular pela área metropolitana da capital dos Países Baixos, de acordo com informações do site do gabinete de turismo. Para os mais distraídos (como eu), saibam que existe uma outra placa I Amsterdam no Aeroporto de Schiphol – algo que muitos turistas não devem conseguir ver porque optam por chegar à Holanda através de outros aeroportos.

 

Não deixa de ser paradoxal que são os turistas, aqueles que mais adoravam as letras, os principais responsáveis pela remoção das mesmas. De acordo com o partido que apresentou a proposta para a retirada da placa, o GroenLinks, as letras transformaram-se num símbolo do turismo de massas em Amesterdão, representando um individualismo que deve ser combatido. Já no site oficial do turismo da cidade, a justificativa é que as letras atraíam muitas pessoas a um sítio com espaço limitado.

 

Com ou sem I Amsterdam, creio que os milhares de turistas que visitam diariamente a cidade vão continuar a convergir à Museumplein por ser um ponto de paragem e descanso óbvio, tal como o fazem na praça Dam. As letras davam um dinamismo diferente ao espaço, é verdade, mas não será pela ausência das mesmas que o número de pessoas que por ali passa vai diminuir.

 

Amesterdão é uma das capitais europeias que luta contra o excesso de turistas, já tendo tomado várias medidas para tentar equilibrar a balança do turismo com a qualidade de vida dos habitantes locais. Não é uma tarefa simples, bem sabemos, e requer uma estratégia mais complexa do que a fácil remoção de um dos símbolos mais adorados da cidade.

 

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P.S: Estive em Amesterdão pela segunda vez no mês passado e acabei na Museumplein ao fim da tarde a tirar selfies em frente à placa com o meu irmão, que visitava a cidade pela primeira vez. Não conseguíamos encontrar um espacinho livre de cabeças no meio das muitas outras pessoas que ali estavam, mas o ambiente era bom. De calor humano a contrastar com a tarde fria de Amesterdão, com uma luz bonita entre o sol a descer de um lado e o céu carregado de outro. É uma imagem singela, mas é a imagem que vou guardar deste lugar - pelo menos até ter a hipótese de regressar à cidade e criar novas memórias.

Sistelo, a aldeia parada no tempo que ganhou o título de pequeno Tibete português

Sistelo ficou na moda nos últimos tempos. Foi apelidada de pequeno Tibete português. A sua paisagem em socalcos foi classificada como monumento nacional e umas quantas publicações falaram desta aldeia encaixada entre montanhas nos Arcos de Valdevez. Fiquei curiosa e quis ir ver Sistelo com os meus próprios olhos (e lentes).

 

Fui num destes dias deste outono ainda vestido de verão, com temperaturas acima dos 25 graus e céu azul. Pelas estradas verdes do Minho, cruzamos um riacho, passamos por bois a pastar, vimos a vinha que começava a mudar de cor, até que chegamos à aldeia.

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Os socalcos esculpidos nos montes saltam à vista atrás da placa grande que recebe quem aqui chega. Degraus verdes nas montanhas feitos para a agricultura que deram fama à esta pequena aldeia.

 

Ainda antes de explorar as ruelas de Sistelo, estacionamos o carro num ponto alto para ter uma visão mais geral do lugar. Castanheiros carregados de ouriços pontuavam a paisagem envolvente.

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A melhor forma de explorar a aldeia é estacionar o carro e ir a pé. Quando cheguei ao ponto central da aldeia, que tem uma fonte, fui recebida por um cão muito simpático que foi o meu guia durante a visita. Não vi muita gente nas ruas.

 

Alguns turistas, algumas pessoas locais que passaram com pressa e seguiram para os seus afazeres. Vi uma senhora idosa no quintal de uma casa, disse-lhe “boa tarde”. Continuei distraída a fotografar as ovelhas e quando me virei para trás a senhora já tinha desaparecido. 

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Os antigos espigueiros são outra das marcas de Sistelo. Atrás destas construções, um tanque comum com colchas brancas e roupa a secar.

 

Num dia sem vento, o silêncio ali naquele lugar de calma parecia ainda maior. O tempo parecia ter parado.

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