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Diário de fuga

Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

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Na rotina dos sonhos fugimos dos dias

Vamos falar sobre a eutanásia? Vamos falar sobre a valorização da vida?

12.02.20 | Alice Barcellos

No dia em que pensava se ia ou não escrever alguma coisa sobre a eutanásia, vi a notícia de que um homem de 65 anos morreu depois de ficar seis horas à espera de assistência médica nas urgências do Hospital de Lamego. Acontece com alguma frequência e faz sempre refletir sobre a forma como somos tratados quando mais precisamos.

O que é que isso tem a ver com a eutanásia? Quase tudo. Não sei o que é sofrer de uma doença terminal, dores insuportáveis, estar numa cama em estado vegetal, depender na totalidade de outras pessoas. Compreendo que para estes casos o enquadramento legal da morte assistida faça sentido, sendo por isso a favor da eutanásia. Contudo, a vida humana é valiosa e deve ser valorizada. A oportunidade de viver é o bem mais valioso que temos, mesmo que na maior parte do tempo não estejamos a pensar nisso.

Quem decide se uma pessoa deve continuar ou não? Ela própria, em primeiro lugar. Mas a decisão pessoal terá de ser sempre assistida por uma equipa médica, quando a eutanásia é legalizada. A discussão da proposta de legalização envolve vários fatores, é um processo complexo e aconselho a consulta deste artigo aqui para compreender o que está em cima da mesa.

No meio de todo o debate, a questão que queria deixar é: será que não é cedo para legalizar a eutanásia em Portugal? Mesmo sabendo que a proposta não é nova, ainda há um longo caminho pela frente na valorização da vida, principalmente quando ela começa a caminhar para a sua fase final, e nos cuidados paliativos.

Além disso, o mais importante neste momento seria existir um maior investimento no Sistema Nacional de Saúde para evitar notícias tristes como a que comecei por citar no início deste texto. É preciso garantir um fim de vida digno para todos, qualquer que seja a decisão final de cada um.

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Imagem: Daan Stevens / Unsplash

* Texto atualizado a 14-02-20

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2 comentários

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    Manuel da Rocha

    13.02.20

    Infelizmente existem, várias, doenças e situações clínicas, em que as pessoas podem ficar a "vegetar" décadas, sem se poderem mexer, sem terem controlo do próprio corpo e totalmente dependentes de outros.
    Já segui um caso em que a pessoa sofreu uma lesão na coluna, a operação salvou-lhe a vida mas, o sistema nervoso começou a desligar-se. Passou 3 anos numa cama de hospital, sem qualquer possibilidade de se mexer, de viver. O próprio pedia à família que lhe levassem lixívia e deixassem o frasco, no lugar do copo de água, com a palhinha. Já na cama preencheu o testamento vital. No dia em que o coração falhou, os médicos garantiram que se não tivesse dado a ordem de não ressuscitação, teriam voltado a colocar o coração a trabalhar...
    Mesmo com grandes cuidado paliativos, há situações que não tem retorno. Só pioram até ao ponto da pessoa se sentir sem nada. Os médicos não podem fazer nada para os ajudar, por mais que os ajudem a ir sobrevivendo, não há nada a fazer, senão esperar pelo momento em que o coração desliga, que pode ser no dia seguinte ou anos depois.

    E não é "deus" que irá aparecer e levar a alma... como algumas pessoas tanto imaginam como critica à eutanásia.
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